Espelho Meu

Coisa que revela meu profundo e insano eu
Adorno que transparece o fulgor louco de meus dias

Face de minha besta entorpecida e alucinada
Lagrimas quentes sob o prisma de meu legado

Luz que tange de pardo minhas asas que se dispersam
Cinzas de um voo que se torna apenas devaneio de maçã

Outrora eu agora expressão do não sou ou não sei
Forma que não compõe a farda de olhos que me abraçam

Surgirei então sobre os passos estigmatizados de meu antigo
Ou vislumbrarei o precipício com o qual não posso digladiar

Decisão compõe a ilegível próxima página do vazio destino
Enigma que envolve e fragmenta as peças além do tempo

Laço me em decisão ao um que se torna infinito de mesmos pedaços
Exibição torpe da essência rubra e aturdidos e inúmeros de meu eu

Refletor que não define o seio de meu amorfo e intrigado igual
Não mais haverei de lhe espargir lamurias eruditas a seu leito vulgar

Seja por mim o tempo a soprar a cortesã de cinzas de meus lençóis
Longe se vá o que me atrai e a minha porta atravesse o desfazer

Não sou. Só nunca. Só antes. Talvez jamais.

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